segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Histórias e mais histórias...


Oficina dos Brinquedos


Oficina dos Brinquedos
Começa num sótão de uma velha casa a história que vamos contar. De uma mala entreaberta sai uma vozinha queixosa:
- Está frio, hoje! A quantos estamos?
"Talvez em Dezembro", “Parece-me que em Novembro...", "Não sei se em Janeiro...", respondem várias vozes estremunhadas.
- O cuco do relógio sabe. Dêem-lhe corda que ele diz - lembra outra voz mais esperta.
Da mala entreaberta sai um ursinho cor de canela, mas um pouco descorado. Espreguiça-se, volta a espreguiçar-se e trepa custosamente a um escadote. Pendurado na parede e parado está o relógio de cuco, que já se não usa. O que se não usa está usado ou estragado, no sótão fica guardado.
- Não trabalho, mas faço contas de cabeça - diz de lá o cuco. - Se perco a conta ao tempo, nunca mais me acerto.
- Anda lá, despacha-te, e diz-nos a quantos estamos! - impacienta-se o ursinho de peluche.
- Neste momento são precisamente nove horas, treze minutos e vinte e cinco segundos... Cucu... cucu... cucu...
- O dia, o dia! - exigem várias vozes do rés-do-chão.
- ... do dia 24 de Dezembro de... Cucu... cucu... cucu...
- Véspera de Natal, imaginem - e uma boneca de cabelo emaranhado e saia traçada salta de uma gaveta a correr.
- Para onde vais tu com tanta pressa? - pergunta-lhe, do cimo do escadote, o ursinho cor de canela.
- Vou arranjar-me para a ceia. Estou atrasadíssima.
Um palhaço amolgado aparece, a piscar os olhos, detrás de uma velha cómoda.
- Vai ver-te ao espelho, boneca tola! - diz-lhe ele.
- Detesto espelhos... - e a boneca põe-se a chorar.
De caixas, gavetas e arcas saem mais bonecos e brinquedos. Soldadinhos de espingarda partida, cavalos sem orelhas, macacos de algodão com o algodão à mostra, burros de pasta ratada e até um carro de bombeiros, equilibrado em três rodas, acorrem ao choro da boneca.
- Há novidade? Há fogo, inundação, desastre? É preciso ajuda? - perguntam os bombeiros uns aos outros.
O palhaço amolgado tranquiliza-os:
- Nada disso. É ela que não se conforma e não acredita que já ninguém a quer. Quem precisa de uma boneca velha?
- Pois é. Já não prestamos para nada - comentam os outros bonecos.
Lentamente, esgaçados uns, esbarrigados outros, rachados uns quantos, regressam às gavetas, arcas, sacos e caixas... Estas conversas não adiantam. Mais vale dormir.
Mas o urso de peluche, que continua empoleirado no cimo do escadote, fala para a boneca, de forma a que os outros oiçam:
- Estou, daqui, a ver a máquina de costura antiga. No armário há vestidos pendurados, tão velhos como nós, mas alguns de bom tecido. Lembrei-me de que tu podias...
A boneca limpa as lágrimas e levanta os olhos para o ursinho:
- Que linda ideia! Achas que posso?
Mais brinquedos oferecem os seus serviços.
- De caminho, podias consertar-me a barriga - pede o macaco de algodão. - Estou todo descosido.
- Também me dava jeito que me pregasses as orelhas... - lembra o cavalo de feltro.
De novo a voz do ursinho de peluche, do cimo do escadote:
- Do meu mirante também vejo latas de tinta, que os pintores, que andaram a arranjar a casa, aqui deixaram.
- Estamos mesmo precisados de fardas novas.
- E nós! E nós! - ecoam os bombeiros.
- Pregos, martelos e outras ferramentas não faltam, por aí espalhados - grita, cada vez mais alegre, o ursinho de peluche. - Mãos à obra, meus amigos!
Digamos já, para encurtar a história, que aquele sótão, há pouco triste e sonolento, se transformou numa animada oficina de brinquedos.
- E agora? - perguntam os bonecos, com caras novas e vestidos floridos.
- Agora vamos descer pela chaminé - comanda o urso. - Já deve faltar pouco para a meia-noite. Que grande surpresa vai ser!
O pêlo do ursinho de peluche está eriçado de entusiasmo.
Na manhã seguinte:
- Alfredo, vem ver o que está na chaminé!
- Que é, Noémia? Caiu algum tijolo?
- Qual quê, homem! Anda ver. Caíram bonecos e brinquedos do telhado. Foi, com certeza, o Pai Natal.
- O Pai Natal? Na nossa idade?
O senhor Alfredo ficou embasbacado. Imaginem dois amáveis velhinhos, o senhor Alfredo e a dona Noémia, únicos habitantes daquela casa, a olharem, sem acreditar, para as surpresas reluzentes que o Pai Natal lhes deixou na chaminé...
- Repara, mulher: aquela boneca não é parecida com a que demos à nossa filha? E aquele macaco? Naturalmente, caíram do sótão. O soalho deve ter dado de si... Vou lá acima ver.
- Deixa lá isso, agora! Repara que estes brinquedos estão como novos. Parece que o tempo não passou por eles.
- Até é mal empregado que estejam lá em cima a estragar-se. E se fôssemos...? - sugere o senhor Alfredo.
- Vamos - responde a dona Noémia.
O senhor Alfredo e a dona Noémia entendem-se por meias palavras, mas nós, nas linhas desta história, temos de contar as palavras todas. Saibam, pois, que graças aos dois simpáticos velhinhos, transformados, para o efeito, em ajudantes de Pai Natal, os brinquedos do sótão voltaram a conhecer as mãos macias dos meninos.

Por António Torrado | Cristina Malaquias - História do dia

domingo, 23 de dezembro de 2012

Histórias e mais histórias...

Entrevista com o Pai Natal


Entrevista com o Pai Natal


Fomos encontrá-lo a fazer embrulhos e a arrumar sacos e malas no porta-bagagens do trenó. Para meter conversa, visto que o Pai Natal, sujeito muito modesto, não gosta de ser entrevistado, perguntámos-lhe:
- Então, muito trabalho, este ano?
- Nem calcula! É que as meninas e os meninos estão cada vez mais exigentes. Só querem brinquedos caros e volumosos. Ora, eu, francamente, já não tenho forças para carregar com tanta coisa! Tome o peso a esta caixa, faça favor.
Nós pegámos na caixa e concordámos que era pesada.
- É um comboio eléctrico inteirinho, com os comandos, carruagens, baterias, central, estações e apeadeiros. Pois multiplique este peso por centenas e centenas. Veja o meu trabalho! E não tenho ninguém que me ajude.
Tivemos pena do Pai natal.
- Claro que os meninos, depois, queixam-se de que eu não trouxe tudo o que eles pedem... Pois como havia de ser de outra forma? Para chegar a todos - e nem faz ideia quanto me custa nem sempre chegar a todos - tenho de reduzir a encomenda de cada um. O porta-bagagens do trenó não é elástico e as minhas forças também têm limites.
- Só a sua paciência, Pai Natal, é infinita - dissemos-lhe nós, a ver o que ele respondia.
- Nem sempre, meu amigo, nem sempre! Quando recebo cartas como esta, perco a paciência. Ora leia.
Desdobrou uma folha de papel e deu-nos a ler. A carta era assim:
Querido Pai Natal:
Queria pedir-lhe uma boneca daquelas grandes, que eu vi, no outro dia, numa montra, quando fui sair com a minha mãe. Queria o enxoval completo da boneca, uma banheira para lhe dar banho, um pente, uma escova e um secador para cabelos de bonecas. Queria também um serviço de chá para bonecas, um triciclo, um jogo e uma lapiseira azul. Para a minha irmã não mande nada, porque ela só sabe estragar-me os brinquedos.

Beijinhos da sua amiga
Luísa"

- Leu tudo? Que tal aquele bocadinho em que ela diz para eu não dar nada à irmã? Veja se não é de um pessoa perder a cabeça!
- Mas não a perca, Pai Natal - dissemos. - A sua cabeça, onde cabem milhões de nomes, moradas e pedidos, é preciosa.
- Nem me fale disso! Já não tenho memória para tanta coisa. Os pedidos são muitos, as listas aumentam de ano para ano...
 -Não diga que já trocou encomendas? - perguntámos.
O Pai Natal, com a sua longa experiência, deve ter imensas histórias para contar.
- Se tenho! - e as bochechas rosadas do Pai Natal alargavam-se num grande riso. - Calcule que, uma vez, num bosque, o Lobo Feroz confundiu-me com o Capuchinho Vermelho. Dei-lhe uma cacetada como prenda, mas deixei-lhe um livro com a "História do Capuchinho Vermelho", para que ele lesse até ao fim.
- Que faz o Pai Natal quando o Natal acaba? - perguntámos.
- Descanso umas semaninhas e, depois, ponho-me a trabalhar para o Natal seguinte. Viajo muito, corro todas as exposições e fábricas de brinquedos, tiro apontamentos, faço as minhas encomendas... Quando calha, disfarço-me de velho mendigo e vou ter com os meninos, que tantos trabalhos me deram.
- E que sucede? Os meninos acarinham-no, falam consigo, dão-lhe alguma prenda? - quisemos nós saber.
- Isso sim! Sofro cada desilusão, meu amigo, que é preferível ficarmos por aqui. Talvez para o ano que vem lhe conte mais coisas.
Couberam ao Pai Natal as últimas palavras da entrevista. Aguardemos um ano e, até lá, vejam se não desiludem o Pai Natal.
 Por António Torrado | Cristina Malaquias - História do Dia

sábado, 22 de dezembro de 2012

Histórias e mais histórias...

Sobremesa com Açúcar
Sobremesa com Açúcar


- Eu gosto muito de arroz doce - disse um menino.
- Eu gosto mais de leite creme - disse outro menino.
Os dois resolveram fazer um inquérito, entre os colegas da aula. Descobriram, então, que dez eram adeptos do arroz doce e outros dez puxavam mais para o leite creme. Havia ainda três (a classe tinha vinte e cinco) que tanto se lhes dava arroz doce como o leite creme. Do que eles gostavam era de bolo de bolacha.
Onze para um lado. Onze para outro. Está-se mesmo a ver a consequência: um jogo de futebol. Os três apreciadores do bolo de bolacha formavam a equipa de arbitragem. O jogo começou muito favoravelmente para o grupo dos Leite Creme, porque, logo ao primeiro minuto, um defesa dos Arroz Doce, num passe azarado, meteu um golo na própria baliza.
Um a zero a favor dos Leite Creme. Chegar ao empate custou algum esforço aos Arroz Doce, mas lá conseguiram.
Um a um, igualdade entre Leite Creme e Arroz Doce.
Nisto, o árbitro, sempre imparcial, marcou uma grande penalidade contra os Leite Creme, porque um Arroz Doce, dentro da grande área, tinha sido agarrado pela camisola.
Goooolo! Dois a um, a favor dos Arroz Doce.
E ainda houve mais um goooolo, antes do intervalo. Três a um, a favor do Arroz Doce.
Na segunda parte, os Leite Creme recuperaram bem e o jogo terminou numa igualdade: três a três.
Mas, depois, o desafio teve que ser anulado. Porquê?
Porque se soube que um elemento, que alinhava pelos Leite Creme, dava, secretamente, a sua preferência ao Mousse de Chocolate e, lá na rua dele, jogava pelos Pudim Flan. Tinha mais olhos que barriga.
 
Por António Torrado | Cristina Malaquias - História do Dia

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Marcador de livros - Origami

Histórias e mais histórias...

Silva e Pinheiro
Silva e Pinheiro


O senhor Pinheiro é um emproado. Quando chega ao trabalho, não cumprimenta ninguém e vai logo enfiar-se no seu gabinete, como se fosse a única pessoa daquele escritório.
Em contrapartida, o senhor Silva é um homem gentil, sempre de sorriso afável e muito amigo de ajudar. Lá no escritório, todos gostam dele.
Estava eu a meditar nas diferenças do mundo e comportamento oposto dos meus dois colegas, quando me ocorreu esta história ou fábula entre um pinheiro e uma silva.
Era a árvore mais imponente do lugar. De pescoço altivo, o pinheiro bravo não prestava atenção aos seus vizinhos de baixo, pinheiritos jovens e alguns arbustos, como a silva, a ensarilhar uma moita.
Mas a silva, enervada com tanta prosápia, interpelou-o, como quem pede explicações:
- Fale à gente. Somos todos cidadãos do reino vegetal, uns mais altos do que os outros, mas todos com raízes no mesmo chão.
- Julgas tu - respondeu-lhe o pinheiro. - Eu pertenço mais ao céu do que à terra. Os meus ramos e a minha copa quase tocam as nuvens. Não tenho nada a ver com vocês, insignificantes e rasteiras plantas, a cobrirem-se de pó.
No meio do seu emaranhado de picos, a silva mais se retorceu de indignação, mas não quis sustentar a disputa. Àquele pinheiro nada o convencia.
Convenceu-o um lenhador, que por ali passou. Bateu no tronco possante e disse:
- Está na conta.

 E começou à machadada ao pinheiro. A desmoronar-se sobre a terra, num grande gemido, o pinheiro formulou um último desejo: Quem me dera ser silva...". Mas não lhe serviu de nada.
Um dia destes, hei-de dar a ler esta história ao senhor Pinheiro. Talvez dela tire algum proveito, quem sabe?
 
Por António Torrado | Cristina Malaquias - História do Dia

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Encontro com Daniel Completo



No dia 5 de dezembro estava previsto um encontro com a escritora Luísa Ducla Soares e com o músico Daniel Completo para lançamento do livro "Lendas e Romances". Infelizmente a escritora não pôde estar presente por motivos de saúde.

Durante este encontro cantámos várias canções, entre elas, "Dom Fuas Roupinho" que ensaiámos na nossa escola.

Clica aqui para ouvires a música "D. Fuas Roupinho"

sábado, 1 de dezembro de 2012

Matematiquices



Foi oferecido à nossa escola algum material escolar ...
cadernos - 235       canetas - 1245             borrachas - 654             afias - 131


1. Que quantidade de material escolar recebeu a nossa escola?

2. Recebemos mais cadernos ou afias? Quantos a mais?

3. Quantas borrachas faltam para um milhar?

4. Como se lê o nº de canetas por extenso e por ordens?